As Passagens

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Mensagem por Danto em Qui Mar 05, 2015 2:51 am

Os tempos da Wyld terminaram sobre a nossa terra, nesses tempos nossos olhos eram maravilhados todas as manhãs com as gotas fantásticas de orvalhos que ao tocarem no solo germinavam em vida vibrante, os ares que respiravamos eram carregados pelo vento da criação. Matas davam lugares a cachoeiras, montanhas abriam-se ao meio e revelavam vales intocáveis, os mares se mechiam e fundiam-se em oceanos. Acordar nesses tempos significava ver sempre algo novo, nesse período de exemplendor os humanos corriam junto conosco, junto com todos os demais seres. Nos respeitavamos, afinal, havia fartura para todos e assim sorriamos e bebiamos daqueles orvalhos e respiravamos daqueles ventos.
Nesses tempos as três forças regiam em harmonia o nosso mundo, a Wyld era sim mais forte, mas toda sua criação se desenvolvia e tomava forma sob a influência da Weaver e perecia em algum estágio assim que a Wyrm pousava sobre elas.
Mas algo desequilibrou a balança... As forças se enfureceram e tentaram punir a todos, a criação então parou, distanciou-se e sumiu. Hoje tudo é sempre igual, nada de novo surge diante nossos olhos, a terra na qual dormiremos hoje, amanha será idêntica. Após o distanciamento da Wyld que aprofundou-se na Umbra, chegou a vez de sentirmos a punição das outras duas forças, a primeira foi a Wyrm com sua violência ela rugiu aos céus e as criaturas da noite ergueram-se do solo, a morte desequilibrou-se e começou a abrir excessões.  A segunda e mais poderosa de todas as punições veio da Weaver, ela ao ver o que suas irmãs haviam feito, descontrolou-se, apontou então seus dedos em direção aos homens e começou a tecer sobre eles a Infinita Teia, instigando-os a sempre construir, sempre evoluir, sempre consumir, sempre estruturar e racionalizar... Assim todas as criações da Wyld tornaram-se apenas objetos nomeados e catalogados, assim surgiram as tribos donimadoras que dariam origem aos Reis de hoje. Assim surgiram as ferramentas, as armas, as guerras e as cidades. Como se isso não fosse o suficiente, a Weaver então levantou suas mãos aos céus e começou a tecer a Infinita Teia lá no horizonte!
Os homens, pobres de espiritualidade e inferiores por natureza, não souberam entender o que havia lhes acontecido e abraçaram as modificações na criação, tornaram-se filhos da Weaver, soldados dessa força rancorosa que nunca para de tecer sobre nossas cabeças. Os humanos chegaram ao seu ápice quando criaram "o comercio" e "a moeda", a isso eles aliaram seus "dialetos" e "seus Reis" para guerriar e conquistar cada vez mais. Não é atoa que os Garra Vermelha os chamem de "macacos sórdidos", pois hoje, eles estão cada vez mais próximos dos macacos selvagens do que o reflexo da humanidade verdadeira.
Estamos hoje na quarta geração dos Reis humanos, sendo que cada um desses humanos vive aproximadamente 50 anos... Já se passaram duas gerações para nós garous, ou seja, muitas vidas já nasceram e se foram sob o desequilibrio das forças. Os mais antigos de nós garous já faleceram e deixaram para nós, seus herdeiros, apenas visões tenebrosas e preocupantes de pura agonia e desespero. Precisamos fazer algo, Gaia precisa ser salva desses desequilibrio! Mas o que fazer? Quando fazer? Como fazer? Como agir contra forças tão grandiosas sem desequilibra-las novamente? Eu tenho uma sugestão e você não irá gostar dela, não mesmo... Mas é uma sugestão, ouvi ela quando passava pelas extensas cordilheiras de Carpatos: Nós devemos seguir nosso destino como a raça mais forte, os verdadeiros herdeiros de Gaia devem reinar sobre ela. Essa é a minha sugestão, existem tantas outras. Mas no fim, o mundo em que vivemos parece a cada dia ainda mais perdido e distante de nós...

-Alyah, Passos Largos. Gilliard dos Peregrinos Silenciosos.
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Re: As Passagens

Mensagem por Danto em Seg Abr 06, 2015 9:22 pm

Ele então finalmente acorda de seu sono, abre seus poderosos e gigantescos olhos e vê apenas a escuridão, nada além dela. Perdidos estávamos devido à preocupação com a ausência da grande Wyld e cegos estávamos por causa das ameaças da Weaver, tão cegos e tão preocupados que não vimos suas asas se abrirem no horizonte e sua respiração pesada e podre pairar sobre nós. Uivos ecoando no entorno das cidades, das florestas, dos rios, dos lagos, dos desertos, uivos idênticos e únicos por serem os primeiros. Uivos que antes eram exclusivamente usados em viagens umbrais, uivos dados na presença do grande dragão...
Suas asas se abrem e obscurecem a terra, sob sua sombra tudo se corrói, ele olha então para o horizonte e se lança ao ar, voando em nossa direção. Suas asas batem com força lá no alto, com tanta força que sentimos aqui no chão as rajadas de ventos gélidos que retorcem as vegetações. Ventos tão poderosos que empurram para longe o sopro da vida e da morte, já não sabemos mais se aquele que caminha entre nós é vivo ou não, o dragão que antes dormia e apenas com sua presença impulsionava as coisas naturalmente ao seu fim, hoje irritou-se e saiu de seu covil... Saiu para nunca retornar, hoje ele voa por todos os céus do nosso mundo, algo irritou a grande besta alada e não sabemos o que foi!

-Thomas, Herdeiro do Trovão do Leste. Theurge dos Senhores das Sombras.
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Re: As Passagens

Mensagem por Danto em Seg Abr 13, 2015 10:45 pm

(Transcrição encontrada no quarto andar da mansão queimada de Viena, anteriormente escondida pelos escombros e por alguns quadros rasgados)

"Toda noite você acorda e algo está errado. Você está com fome.
Você é capaz de se recordar de outras noites, noites de outra vida.
Você poderia acordar, seu estomago rodopiando e urrado em seu interior. Você caminha sobre o piso, pedra gélida sob seus pés. Você poderia comer com ferocidade, um pão inteiro saído do forno, queijo salgado, bebendo um enorme gole de cerveja escura para ajudar a engolir e assim ir se deitar novamente. Você sentiria os pedaços generosos de restos nos cantos das suas bochechas e entre seus dentes. A pegajosa sensação de boca suja enquanto você rola pela cama e por fim, puxa os lençóis por cima da sua cabeça para mantê-la fora do escuro.
Essa memória parece tão distante agora. Você sempre se perguntará como seu irmão se lembra disso.
Você acorda e algo está errado. Você está com fome.
Você está sozinho. A palavra "faminto" passa pelos seus lábios. Fica parada lá, como uma palavra que você conhece, você está tentando traduzir para uma outra linguagem, mas sem sucesso. Algo está faltando na tradução. Isso agarra em sua garganta.
Sua boca esta seca. Seca como nunca.
A fome é a explicação mais próxima do que você sente naquele instante. Mas seu estomago não urra, nunca mais. Você urra. Mesmo assim você está tão melhor do que aqueles dias em que você desejava pão e queijo. Veloz, forte, sábio, sagaz. E mesmo assim, existe um vazio em seus suspiros. De dentro deles o urro vem. Ele exige. Ele grita o preço da sua existência, o desejo do seu coração que não bate mais. Ele grita!
Ânsia. Talvez "ânsia" seja a descrição mais precisa.
Mesmo assim, você permanece com "fome". Fomes podem ser satisfeitas. Fomes se seguram em esperanças de serem satisfeitas.
Você está acordado. Alguma coisa está errada. Você está faminto.
Você comeu ontem. Sua boca não estava seca. Estava molhada, colando e quente. Sua memória é vívida, o tamanho do êxtase, ofegando, o calafrio, suando. Agora você nunca respira. Você nunca arrepia. Você nunca soa. Você sente fome.
Agora você engole. Engole, lambe, sorva, suga. Quente, sangue enche a sua boca, inunda sua garganta. A Fome interior derrete e some, dissolvendo o que você gananciosamente tomou.
Sua ganancia a satisfez.
Mas isso foi ontem. Isso é hoje.
Acordar. Fome.
Ontem.
Hoje.
Eternamente.

-Minos. Quarto da linhagem de Ishtar, herdeiro de Hephaestus e o grande sacrificio a ser esquecido."
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